1. Identificação bibliográfica
SANTAELLA, Lucia. Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. 4. ed. São Paulo: Paulus, 2011.
Neste livro, Santaella traz o ciberespaço como objeto de estudo, discutindo a cerca das habilidades perceptivas e cognitivas potencializadas pela hipermídia, e de um novo perfil de leitor familiarizado com as novas ferramentas da tecnologia de informação e comunicação.
3. Objetivo
O objetivo do livro vai além de apresentar perfis dos novos leitores, ou definir ou caracterizar os principais traços do ciberespaço. Podemos ver que a autora almeja apresentar as possibilidades de interação da hipermídia com o espectador.
4. Principais conceitos
• “O receptor de uma hipermídia ou usuário, como costuma ser chamado, coloca em ação mecanismos, ou melhor, habilidades de leitura muito distintas daquelas que são empregadas pelo leitor de um texto impresso num livro. Por outro lado, são habilidades também distintas daquelas empregadas pelo receptor de imagens ou espectador de cinema, televisão. [...]” p. 11.
• “[...] Existem nítidas distinções que separam a leitura intensiva da leitura extensiva. Enquanto a primeira, reverencial e respeitosa, apoiada na escuta e na memória, confronta-se com livros pouco numerosos, a segunda “consome muitos textos, passa com desenvoltura de um a outro, sem conferir nenhuma sacralidade à coisa lida.” (Chartier, 1998ª: 23). [...]” p. 22.
• Leitura contemplativa: “[...] nasce da relação íntima entre o leitor e o livro, leitura de manuseio, da intimidade, em retiro voluntário, num espaço retirado e privado, que tem na biblioteca seu lugar de recolhimento, pois o espaço de leitura deve ser separado dos lugares de um divertimento mais mundano. Mesmo quando se dá em tais lugares, o leitor se concentra na sua atividade interior, separando-se do ambiente circundante.” p. 23.
• Leitor contemplativo: “[...] é aquele que tem diante de si objetos e signos duráveis, imóveis, localizáveis, manuseáveis: livros, pinturas, gravuras, mapas, partituras. [...] Esse leitor não sofre, não é acossado pelas urgências do tempo. Um leitor que contempla a medita. Entre os sentidos, a visão reina soberana, complementada pelo sentido interior da imaginação. [...]” p. 24.
• Leitor movente: “[...] É o leitor que foi se ajustando a novos ritmos de atenção, ritmos que passam com igual velocidade de um estado fixo para um móvel. É um leitor treinado nas distrações fugazes e sensações evanescentes cuja percepção se tornou uma atividade instável, de intensidades desiguais. É, enfim, o leitor apressado de linguagens efêmeras, híbridas, misturadas.” p. 29.
• Ciberespaço: “[...] Consiste de uma realidade multidirecional, artificial ou virtual incorporada a uma rede global, sustentada por computadores que funcionam como meios de geração e acesso. Nessa realidade, da qual cada computador é uma janela, os objetos vistos e ouvidos não são nem físicos nem, necessariamente, representações de objetos físicos, mas têm a forma, caráter e ação de dados, informação pura. [...]” p. 40.
• “[...] Em uma definição sucinta e precisa, hipermídia significa “a integração sem suturas de dados, textos, imagens de todas as espécies e sons dentro de um único ambiente de informação digital” (Feldman, 1995: 4).” p. 48.
• “[...] autores não escrevem livros, eles escrevem textos que se tornam objetos escritos, manuscritos, gravados, impressos, e hoje, informatizados. Ora, o efeito que o texto é capaz de produzir em seus receptores não é independente das formas materiais que o texto suporta. Essas formas materiais e o contexto em que se inserem contribuem largamente para modelar o tipo de legibilidade do texto. [...]” p. 21.
• “[...] Mesmo quando se trata da leitura de livros, da decifração do código das letras impressas, a prática da leitura não é um ato monolítico. [...]” p. 22.
• “[...] Conclusão, ciberespaço é um espaço feito de circuitos informacionais navegáveis. Um mundo virtual da comunicação informática, um universo etério que se expande indefinidamente mais além da tela, por menor que esta seja, podendo caber até mesmo na palma da nossa mão.” p. 45 e 46.
• “[...] Navegar veio para ficar, pois se trata de uma atividade performativa e cognitiva que não está presa a um único tipo de equipamento.” p. 183.
• “[...] Mesmo que as interfaces mudem, o leitor imersivo continuará existindo, pois navegar significa movimentar-se física e mentalmente em uma miríade de signos, ambientes informacionais e simulados. Portanto, as mudanças cognitivas emergentes estão anunciando um novo tipo de sensibilidade perceptiva sinestésica e uma dinâmica mental distribuída que essas mudanças já colocaram em curso e que deverão sedimentar-se cada vez mais no futuro.” p. 184.
Santaella consegue, mais uma vez, passear por entre os termos, sempre fazendo referências com importantes com teóricos da área. A cada capítulo, a autora faz uso de dados pertinentes, sempre relacionados a contextos históricos e dados técnicos, dessa forma, introduzindo facilmente novos conceitos de maneira muito clara e sucinta.
Ao sermos apresentados aos perfis de cada leitor, acabamos por fazer um comparativo, e até mesmo, vermos em qual nos classificamos. Nessa ponto acho que, de certa forma, a autora limitou/rotulou o sujeito. Quero dizer, pode sim existir um leitor contemplativo-imersivo. Mas no entanto, a autora não sugere esse “mash up”.
O ponto alto do livro, para mim, são os conceitos que precedem cada análise. Assim, Santaella torna a leitura mais fácil, trazendo o leitor para o contexto. Com certeza um dos melhores livros sobre a temática.
Ciberespaço, Hipermídia, Interatividade, Leitor.
• “[...] Existem nítidas distinções que separam a leitura intensiva da leitura extensiva. Enquanto a primeira, reverencial e respeitosa, apoiada na escuta e na memória, confronta-se com livros pouco numerosos, a segunda “consome muitos textos, passa com desenvoltura de um a outro, sem conferir nenhuma sacralidade à coisa lida.” (Chartier, 1998ª: 23). [...]” p. 22.
• Leitura contemplativa: “[...] nasce da relação íntima entre o leitor e o livro, leitura de manuseio, da intimidade, em retiro voluntário, num espaço retirado e privado, que tem na biblioteca seu lugar de recolhimento, pois o espaço de leitura deve ser separado dos lugares de um divertimento mais mundano. Mesmo quando se dá em tais lugares, o leitor se concentra na sua atividade interior, separando-se do ambiente circundante.” p. 23.
• Leitor contemplativo: “[...] é aquele que tem diante de si objetos e signos duráveis, imóveis, localizáveis, manuseáveis: livros, pinturas, gravuras, mapas, partituras. [...] Esse leitor não sofre, não é acossado pelas urgências do tempo. Um leitor que contempla a medita. Entre os sentidos, a visão reina soberana, complementada pelo sentido interior da imaginação. [...]” p. 24.
• Leitor movente: “[...] É o leitor que foi se ajustando a novos ritmos de atenção, ritmos que passam com igual velocidade de um estado fixo para um móvel. É um leitor treinado nas distrações fugazes e sensações evanescentes cuja percepção se tornou uma atividade instável, de intensidades desiguais. É, enfim, o leitor apressado de linguagens efêmeras, híbridas, misturadas.” p. 29.
• Ciberespaço: “[...] Consiste de uma realidade multidirecional, artificial ou virtual incorporada a uma rede global, sustentada por computadores que funcionam como meios de geração e acesso. Nessa realidade, da qual cada computador é uma janela, os objetos vistos e ouvidos não são nem físicos nem, necessariamente, representações de objetos físicos, mas têm a forma, caráter e ação de dados, informação pura. [...]” p. 40.
• “[...] Em uma definição sucinta e precisa, hipermídia significa “a integração sem suturas de dados, textos, imagens de todas as espécies e sons dentro de um único ambiente de informação digital” (Feldman, 1995: 4).” p. 48.
5. Principais conclusões
• “[...] Mesmo quando se trata da leitura de livros, da decifração do código das letras impressas, a prática da leitura não é um ato monolítico. [...]” p. 22.
• “[...] Conclusão, ciberespaço é um espaço feito de circuitos informacionais navegáveis. Um mundo virtual da comunicação informática, um universo etério que se expande indefinidamente mais além da tela, por menor que esta seja, podendo caber até mesmo na palma da nossa mão.” p. 45 e 46.
• “[...] Navegar veio para ficar, pois se trata de uma atividade performativa e cognitiva que não está presa a um único tipo de equipamento.” p. 183.
• “[...] Mesmo que as interfaces mudem, o leitor imersivo continuará existindo, pois navegar significa movimentar-se física e mentalmente em uma miríade de signos, ambientes informacionais e simulados. Portanto, as mudanças cognitivas emergentes estão anunciando um novo tipo de sensibilidade perceptiva sinestésica e uma dinâmica mental distribuída que essas mudanças já colocaram em curso e que deverão sedimentar-se cada vez mais no futuro.” p. 184.
6. Comentário pessoal
Ao sermos apresentados aos perfis de cada leitor, acabamos por fazer um comparativo, e até mesmo, vermos em qual nos classificamos. Nessa ponto acho que, de certa forma, a autora limitou/rotulou o sujeito. Quero dizer, pode sim existir um leitor contemplativo-imersivo. Mas no entanto, a autora não sugere esse “mash up”.
O ponto alto do livro, para mim, são os conceitos que precedem cada análise. Assim, Santaella torna a leitura mais fácil, trazendo o leitor para o contexto. Com certeza um dos melhores livros sobre a temática.
7. Palavras-chave

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