1. Identificação bibliográfica
JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. 2. ed. São Paulo: Aleph, 2009.
JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. 2. ed. São Paulo: Aleph, 2009.
O livro traz como objeto de estudo a Cultura da Convergência dentro do contexto da evolução das mídias e das tecnologias da informação e comunicação. Dentro desse objeto de estudo maior, temos outro, as transmídias.
3. Objetivo
A obra tem como objetivo explicar, fazendo uso de exemplos, como as mídias atuais se comportam dentro da Cultura da Convergência.
• “Por convergência, refiro-me ao fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia, à cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação, que vão a quase qualquer parte em busca das experiências de entretenimento que desejam. Convergência é uma palavra que consegue definir transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais, dependendo de quem está falando e do que imaginam estar falando.” p. 29.
• “[...] Nenhum de nós pode saber tudo; cada um de nós sabe alguma coisa; e podemos juntar as peças, se associarmos nossos recursos e unirmos nossas habilidades. A inteligência coletiva pode ser vista como uma fonte alternativa de poder midiático. [...]” p.30.
• “Para uma definição de meios de comunicação, recorremos à historiadora Lisa Gitelman, que oferecem um modelo de mídia que trabalha em dois níveis: no primeiro, um meio é uma tecnologia que permite a comunicação; no segundo, um meio é um conjunto de “protocolos” associados ou práticas sociais e culturais que cresceram em torno dessa tecnologia. Sistemas de distribuição são apenas e simplesmente tecnologias; meios de comunicação são também sistemas culturais. Tecnologias de distribuição vêm e vão o tempo todo, mas os meios de comunicação persistem como camadas dentro de um estrato de entretenimento e informação cada vez mais complicado.” p. 41.
• “A convergência das mídias é mais do que apenas uma mudança tecnológica. A convergência altera relação entre tecnologias existentes, indústrias, mercados, gêneros e públicos. A convergência altera a lógica pela qual a indústria midiática opera e pela qual os consumidores processam a notícia e o entretenimento. [...] a convergência refere-se a um processo, e não a um ponto final. [...]” p. 43.
• “O pessoal da indústria usa o termo “extensão” para referir-se à tentativa de expandir mercados potenciais por meio do movimento de conteúdos por diferentes sistemas de distribuição; “sinergia”, para referir às oportunidades econômicas representadas pela capacidade de possuir e controlar todas essas manifestações; e “franquia”, para se referir ao empenho coordenado em imprimir uma marca e um mercado a conteúdos ficcionais, sob essas condições. Extensão, sinergia e franquia estão forçando a indústria midiática a aceitar a convergência.” p. 47.
• “[...] A impressão não é uma medida de quantas pessoas compram o produto ou compreendem a mensagem; é determinado canal. A impressão é uma mediação ainda mais vaga quando aplicada a outros meios de comunicação. [...]” p.100.
• “[...] Uma história transmidiática desenrola-se através de múltiplas plataformas de mídia, com cada novo texto contribuindo de maneira distinta e valiosa para o todo. Na forma ideal de narrativa transmídia, cada meio faz o que faz de melhor – a fim de que uma história possa ser introduzida num filme, ser expandida pela televisão, romances e quadrinhos; seu universo possa ser explorado em games ou experimentado como atração de um parque de diversões. Cada produto determinado é um ponto de acesso à franquia como um todo. [...] Uma boa franquia transmidiática trabalha para atrair múltiplas clientelas, alterando um pouco o tom do conteúdo de acordo com a mídia. [...]” p. 138 e 139.
5. Principais conclusões
• “A escola ainda está presa num modelo de aprendizagem autônoma que contrasta nitidamente com a aprendizagem necessária aos estudantes à medida que eles entram nas novas culturas do conhecimento. [...]” p. 257.
• “A TV do futuro, vista a partir do momento atual, talvez seja irreconhecível, definida não apenas por canais de TV lineares, embalados e programados por executivos, semelhante a um caleidoscópio, milhares de fluxos de conteúdo, alguns indistinguíveis como verdadeiros canais. Esses fluxos irão misturar conteúdos, programas e colaboração dos espectadores. No nível mais simples, as audiências irão organizar e reorganizar o conteúdo do jeito que quiserem. Irão acrescentar comentários aos programas aos programas, votar neles e, de maneira geral, mexer neles. Mas, em outro nível, as próprias audiências irão querer criar os fluxos de vídeo do zero, com ou sem nossa ajuda. Nesse extremo do espectro, a relação tradicional do “monólogo do transmissor” ao “espectador agradecido” irá desaparecer.” p.324 e 325.
• “[...] A convergência não depende de qualquer mecanismo de distribuição específico. Em vez disso, a convergência representa uma mudança de paradigma – um descolamento de conteúdo de mídia específico a um conteúdo que flui por vários canais, em direção a uma elevada interdependência de sistemas de comunicação, em direção a múltiplos modos de acesso a conteúdos de mídia e em direção a relações cada vez mais complexas entre mídia corporativa, de cima para baixo, e a cultura participativa de baixo para cima. [...]” p.325.
• “[...] A indústria midiática está adotando a cultura da convergência por várias razões: estratégias baseadas na convergência exploram as vantagens dos conglomerados; a convergência cria múltiplas formas de vender conteúdos aos consumidores; a convergência consolida fidelidade do consumidor, numa época em que a fragmentação do mercado e o aumento da troca de arquivos ameaçam os modos antigos de fazer negócios. Em alguns casos, a convergência está sendo estimulada pelas corporações como um modo de moldar o comportamento do consumidor. Em outros casos, a convergência está sendo estimulada pelos consumidores que exigem que as empresas de mídia sema mais sensíveis a seus gostos e interesses. [...]” p. 325 e 326.
• “[...] O público não vai reconsiderar sua relação com o conteúdo de mídia da noite para o dia, e a indústria da mídia não vai renunciar a seu domínio sobre a cultura sem lutar.” p. 326.
6. Comentário pessoal
O autor estuda as mídias de uma forma única, trazendo a tona todo o contexto por trás das mesmas e apresentando o seu efeito sob os consumidores. A obra é de certa forma, um guia de como transformar um produto midiático em algo influente e convergente.
Jenkins analisa as produções como geradoras de opinião, e ainda como esta pode ser transformada em mídia, ou seja, transmídia (ex: fanfictions). As possibilidades de uso dessas produções são e discutidas a cada capítulo, trazendo em alguns pontos, respostas às afirmações, ou perguntas, de outros estudiosos da área.
É incrível se deparar com a realidade por trás dos reality shows, séries e produções hollywoodianas, e entender todo o planejamento de marketing para que aquela mídia vire um produto de consumo em diversas plataformas.
“Cultura da Convergência” ainda trás as possibilidades de uso das narrativas transmídias na educação, e como as TICs podem melhorar a prática de ensino na modalidade EAD.
A obra só tem pontos positivos, e mesmo com seu conteúdo extenso e complexo, torna-se uma leitura agradável e empolgante para os interessados no tema.
7. Palavras-chave
Cultura da Convergência, Narrativa Transmídia, Tecnologias da Informação, Consumo.

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