segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Fichamento: "Cultura da Convergência" - Henry Jenkins (versão: 2)

1. Identificação bibliográfica

JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. 2. ed. São Paulo: Aleph, 2009.

2. Objeto

O livro trata basicamente da Cultura da Convergência, relacionando a convergência dos meios de comunicação, a cultura participativa e a inteligência coletiva. A partir do desenvolvimento das mídias e das tecnologias de comunicação e informação.

3. Objetivo

O livro tem como objetivo esclarecer como a convergência vem impactando nas mídias, fazendo uso de exemplos para isso.



4. Principais conceitos

• “[...] cultura da convergência, onde as velhas e as novas mídias colidem, onde mídia corporativa e mídia alternativa se cruzam, onde o poder do produtor de mídia e o poder do consumidor interagem de maneiras imprevisíveis.” p. 29.

• “[...] Nenhum de nós pode saber tudo; cada um de nós sabe alguma coisa; e podemos juntar as peças, se associarmos nossos recursos e unirmos nossas habilidades. A inteligência coletiva pode ser vista como uma fonte alternativa de poder midiático. [...]” p. 30.

• “A convergência não envolve apenas materiais e serviços produzidos comercialmente, circulando por circuitos regulados e previsíveis. Não envolve apenas as reuniões entre empresas de telefonia celular e produtoras de cinema para decidirem quando e onde vamos assistir à estréia de um filme. A convergência também ocorre quando as pessoas assumem o controle das mídias. Entretenimento não é a única coisa que flui pelas múltiplas plataformas de mídia. Nossa vida, nossos relacionamentos, memórias, fantasias e desejos também fluem pelos canais de mídia. [...]” p. 45.

• “A narrativa transmídia refere-se a uma nova estética que surgiu em resposta à convergência das mídias – uma estética que faz novas exigências aos consumidores e depende da participação ativa de comunidades de conhecimento. A narrativa transmídia é a arte de criação de um universo. Para viver uma experiência plena num universo ficcional, os consumidores devem assumir o papel de caçadores e coletores, perseguindo pedaços da história pelos diferentes canais, comparando suas observações com as de outros fãs, em grupos de discussão on-line, e colaborando para assegurar que todos os que investiram tempo e energia tenham uma experiência de entretenimento mais rica. [...]” p.49.

• “[...] A impressão não é uma medição de quantas pessoas compram o produto ou compreendem a mensagem; é meramente a medição de quantas pessoas estão com o aparelho ligado num determinado canal. A impressão é uma medição ainda mais vaga quando aplicada a outros meios de comunicação. [...]” p.100.

• “[...] A indústria da televisão concentra-se cada vez mais em compreender os consumidores que tenham uma relação prolongada e um envolvimento ativo com o conteúdo das mídias e que demonstrem disposição em rastrear esse conteúdo no espectro da TV a cabo e outras plataformas. Tais consumidores representariam a maior esperança para o futuro. A pesquisa de audiência da nova geração enfoca o que os consumidores fazem com o conteúdo de mídia depois que assistem a ele, considerando valiosa cada interação subseqüente, pois consolida sua relação com a série e, potencialmente, com seus patrocinadores. [...]” p. 103.

• “[...] Uma história transmídia desenrola-se através de múltiplas plataformas de mídia, com cada novo texto contribuindo de maneira distinta e valiosa para o todo. Na forma ideal de narrativa transmídia, cada meio faz o que faz de melhor – a fim de que uma história possa ser introduzida num filme, ser expandida pela televisão, romances e quadrinhos; seu universo possa ser explorado em games ou experimentado como atração de um parque de diversões. Cada acesso à franquia deve ser autônomo, para que não seja necessário ver o filme para gostar do game, e vice-versa. Cada produto determinado é um ponto de acesso à franquia como um todo. A compreensão obtida por meio de diversas mídias sustenta uma profundidade de experiência que motiva mais consumo. [...]” p. 138.

5. Principais conclusões
 
• “[...] a mídia contemporânea está sendo moldada por várias tendências conflitantes e contraditórias: ao mesmo tempo que o ciberespaço substitui algumas informações tradicionais e gatekeepers culturais, há também uma concentração de poder inédita dos velhos meios de comunicação. A ampliação de um ambiente discursivo coexiste com o estreitamento da variedade nas informações transmitidas pelos canais mais disponíveis.” p. 291.

• “[...] A convergência não depende de qualquer mecanismo de distribuição específico. Em vez disso, a convergência representa uma mudança de paradigma – um descolamento de conteúdo de mídia específico a um conteúdo que flui por vários canais, em direção a uma elevada interdependência de sistemas de comunicação, em direção a múltiplos modos de acesso a conteúdos de mídia e em direção a relações cada vez mais complexas entre mídia corporativa, de cima para baixo, e a cultura participativa de baixo para cima. [...]” p.325.

• “[...] A indústria midiática está adotando a cultura da convergência por várias razões: estratégias baseadas na convergência exploram as vantagens dos conglomerados; a convergência cria múltiplas formas de vender conteúdos aos consumidores; a convergência consolida fidelidade do consumidor, numa época em que a fragmentação do mercado e o aumento da troca de arquivos ameaçam os modos antigos de fazer negócios. Em alguns casos, a convergência está sendo estimulada pelas corporações como um modo de moldar o comportamento do consumidor. Em outros casos, a convergência está sendo estimulada pelos consumidores que exigem que as empresas de mídia sema mais sensíveis a seus gostos e interesses. Contudo, quaisquer que sejam as motivações, a convergência está mudando o modo como os setores da mídia operam e o modo como a média das pessoas pensa sobre sua relação com os meios de comunicação. Estamos num importante momento de transição, no qual as antigas regras estão abertas a mudanças e as empresas talvez sejam obrigadas a renegociar sua relação com os consumidores. [...]” p. 325 e 326.

• “[...] a convergência incentiva a participação e a inteligência coletiva, uma visão habilmente resumida por Marshall Sella, do New York Times: “Com a ajuda da Internet, o sonho mais grandioso da televisão está se realizando: um estranho tipo de interatividade. A televisão começou como uma rua de mão única, que ia dos produtores até os consumidores, mas hoje essa rua está se tornando de mão dupla. Um homem com uma máquina (uma TV) está condenado ao isolamento, mas um homem com duas máquinas (TV e computador) pode pertencer a uma comunidade”. [...]” p. 327.

6. Comentário pessoal

Henry Jenkins descreve a cultura da convergência e relata as transformações que estão acontecendo nas mídias. Para o autor, a televisão sozinha é um meio que torna o espectador passivo, já a TV e outro meio de comunicação como o computador o torna um espectador ativo, pois através deste meio o mesmo pode interagir com o que é apresentado nos programas televisivos.
Jenkins no desenrolar de sua obra analisa transformações que acontecem com as mídias, sendo essas transformações exemplificadas a cada capítulo. Reality Show como Suvivor, os fãs compartilham conhecimentos através da Internet para descobrir o que ainda irá ser apresentado na TV. Fãs de Harry Potter criam suas próprias histórias usando personagens e espaços do conteúdo “original”, entre outros exemplos. A partir dos conteúdos “originais”, fãs sentem inquietação, e assim produzam outras mídias relacionadas a esses conteúdos, que são as transmídias.
O livro apesar de trazer um conteúdo novo e vasto é bastante interessante, esclarecedor e de leitura agradável, principalmente para os interessados na área.

7. Palavras-chave
Cultura da Convergência, Consumidores, Mídias, Narrativas Transmídias, Meios de Comunicação.

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