quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Fichamento: “Recursos educacionais abertos no Brasil: o estado da arte, desafios e perspectivas para o desenvolvimento e inovação” – Andreia Inamorato

1.    Identificação bibliográfica
INAMORATO, Andreia. Recursos educacionais abertos no Brasil: o estado da arte, desafios e perspectivas para o desenvolvimento e inovação. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2013.


2.    Objeto
O livro tem como foco o uso de conteúdos digitais abertos disponíveis atualmente no Brasil e as iniciativas de recursos educacionais abertos (REA) no contexto do plano desenvolvido como resultado do Plano Nacional de Educação (PNE) referente ao período entre 2001 e 2010.

3.    Objetivo
Neste livro, tem como objetivo oferecer uma análise e reflexão a respeito dos conteúdos digitais abertos e das iniciativos de recursos educacionais abertos (REA) relacionados ao PNE (2001-2010) através de um revisão detalhada do período, além de tecer recomendações ao período seguinte do plano.


4.    Principais conteúdos
·                    “ [...] o elemento chave que distingue um REA de qualquer outro recurso educacional é a sua licença. Portanto, um REA é simplesmente um recurso educacional com uma licença que facilita o seu reuso – e, possivelmente, adaptação – sem necessidade de solicitar a permissão do detentor sem direitos autorais (2011:34).” p. 21
·                    “Acredito que estamos caminhando muito rapidamente em direção a uma sociedade em que o sistema de ensino formal e convencional, ligado a modelos obsoletos de ensino e aprendizagem será gradualmente substituído por um sistema informal, adaptável e flexível. [...]” p. 22 
·                    “O PNE atualmente vigente tem uma estrutura baseada no tripé “diagnóstico – diretrizes – metas”, replicado nas diversas etapas e modalidades da educação. Esta estrutura normativa tem duplo efeito: de um lado, acentua uma visão fragmentária e segmentada da educação, como se, por exemplo, o cumprimento das metas para a educação básica pudesse ser atingido sem a expansão da educação superior, que não pode por sua vez ser atingida sem uma ampliação do atendimento e uma reformulação do ensino médio, e assim por diante. De outro lado, [...] a multiplicação de metas para cada etapa ou modalidade da educação vem desacompanhada das estratégias necessárias para o cumprimento das metas. [...]” p. 29
·                    “O aumento de computadores em conexão de banda larga em todas as escolas pode viabilizar o uso de REA nas salas de aula e a experimentação de novas práticas pedagógicas utilizando REA. Até o momento, o uso das TIC em sala de aula é encorajado pelo governo, mas esse uso parece estar concentrado nos laboratórios das escolas, em vez de nas salas de aula.” p. 30
·                    “No setor público, os REA, podem ajudar a desenvolver habilidades, proporcionando a instituições e educadores o acesso a recursos didáticos adaptáveis. Isso possibilita, portanto, que seus usuários desenvolvam a capacidade de avaliar e coproduzir materiais didáticos. [...]” p. 45
·                    “[...] Em relação ao uso dos REA no sistema de educação básica, as estatísticas apresentadas indicam que os recursos educacionais foram usados pelos professores em diferentes disciplinas, embora pouco tenha sido dito sobre quão bem sucedido foi esse uso. No entanto, nesse contexto, o que parece um pouco comprometido é a conscientização de educadores, alunos e população brasileira em geral sobre a filosofia por trás do movimento REA. Essa filosofia prega o compartilhamento, reuso, readaptação, tradução e localização de recursos educacionais.” p. 69
·                    “Na última década o Brasil vem focando em resolver as deficiências evidenciadas por diversos sistemas nacionais e internacionais de mensuração do desempenho educacional, como os resultados do PISA de 2000, do Censo Escolar de 2005 (INEP) e também de outros sistemas parte do Prova Brasil. Os resultados parecem indicar deficiência em todos os níveis, incluindo falta de professores qualificados, baixo desempenho dos alunos na educação básica e o acesso deficitário ao ensino superior” p. 77
5.    Principais conclusões
·                    “O objetivo de controlar dos recursos nos portais significa que estes são, em geral, encomendados pelo MEC junto às universidades para as escolas, ou, quando submetidos por instituições ou indivíduos, que passam por um processo extenso de avaliação por especialistas de universidade ou das secretarias antes de poderem ser publicados nos portais. Não é que tal controle de qualidade seja inadequado, mas, em alguns casos, isso pode limitar o espirito colaborativo e de compartilhamento que frequentemente é a base do movimento REA. [...] Portanto, talvez fosse valido considerar, além do que já está sendo feito, a possibilidade de dar às escolas públicas autonomia para mostrar o seu trabalho e, a partir disso, escolher exemplos de boas práticas.” p. 70
·                    “A visão sistêmica da educação propõe que o desenvolvimento da educação no Brasil foque simultaneamente nos três sistemas de ensino principais: fundamental, médio e superior. Assim, em conformidade com o plano desenvolvido nacional para o setor, essas três esferas da educação nacional devem ser consideradas nas discussões sobre os REA. Além disso, tendo em vista o papel significativo do setor privado na educação superior no Brasil, seu papel importante na criação e disseminação dos REA não deve ser negligenciado.” p. 77
·                    “Os REA têm um potencial imenso para apoiar o sucesso das ações atuais e futuras na educação brasileira. Para tanto, o Brasil precisa explorar mais possibilidades de desenvolvimento das suas experiências atuais com REA e conteúdos digitais abertos. Assim, a inovação na educação poderia também ser fomentada pelos REA, contribuindo para o desenvolvimento de novas políticas nacionais que possam verdadeiramente apoiar os objetivos de aumentar a participação na educação.” p. 78
6.    Comentário pessoal

No livro, Inamorato realiza uma reflexão em relação à realidade dos Recursos Educacionais abertos paralelo ao Plano Nacional de Educação (PNE) estabelecendo uma análise que tanto aponta caminhos que devem ser seguidos continuamente quanto iniciativas fundamentais para que os REA possam ser melhor aproveitados na educação brasileira.  É importante a reflexão de que apesar de um número significativo de iniciativas, o aproveitando no REA ainda é limitado a espaços restritos e não se faz presente continuamente à vida dos estudantes e profissionais de ensino no país. A partir de uma visão ampla em que apresenta diversas iniciativas de utilização de REA no Brasil e em alguns outros países, Inamorato faz também um breve resumo da realidade do brasileira acerca do tema entre o período de 2001 a 2010.

7.    Palavras chave

Aprendizagem; Ensino; PNE; REA.

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